sexta-feira, 31 de maio de 2013

O QUEBRA CABEÇA AJUDA A DESENVOLVER CAPACIDADES MATEMÁTICAS NA INFÂNCIA

Fazer puzzles na infância desenvolve capacidades matemáticas

Pais tendem a interagir mais com os filhos do que com as filhas na realização desta tarefa


Crianças entre os 2 e os 4 anos que brincam com puzzles desenvolvem melhor as competências espaciais. Esta é a conclusão de um estudo levado a cabo por investigadores da Universidade de Chicago (EUA).
Analisando vídeos de pais a interagir com os seus filhos durante as actividades quotidianas caseiras, os investigadores perceberam que as crianças, entre os 26 e os 46 meses, que brincaram com puzzles tinham melhores aptidões de visualização espacial quando chegaram aos 54 meses. O estudo está publicado na«Developmental Science».
A psicóloga Susan Levine, especialista em desenvolvimento matemático nas crianças e autora principal do estudo, afirma que estas “têm um desempenho melhor das que não brincaram com puzzles, em tarefas que põe à prova a sua habilidade de transformar formas”.
A capacidade mental de transformar formas é um importante para prever futuras carreiras nas ‘STEM’ (Science, Technology, Engineering and Mathematics), ou seja, nas áreas das Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemática.
O estudo é o primeiro que analisa os puzzles num cenário não forçado. Nesta investigação de longa duração foram analisados 53 pares de pais de diferentes meios sócio-económicos. A estes foi pedido que interagissem com os seus filhos de forma natural em sessões de 90 minutos que aconteciam de quatro em quatro meses e que foram registadas em vídeo.
Os pais com rendimentos mais elevados promoviam este tipo de jogo com mais frequência. Tanto os meninos como as meninas que brincaram com puzzles desenvolveram mais as habilidades espaciais.
No entanto, aos meninos eram dados puzzles mais complicados e os pais tendiam a interagir mais com os eles quando estes brincavam, abordando até conceitos de espaço, do que com as raparigas. Aos 54 meses, os meninos tinham melhor desempenho em tarefas de ‘transformação mental’ do que as meninas.
A psicóloga considera ser necessário realizar estudos que completem estes dados. “É necessário perceber se os conceitos fornecidos pelos pais se reflectem efectivamente no desenvolvimento das capacidades. Também queríamos perceber a diferença no que concerne à dificuldade dos puzzles e à interacção dos pais em relação ao sexo da criança.
Neste momento, os investigadores estão a conduzir um estudo em laboratório em que os pais têm de brincar com os mesmos puzzles com meninos e meninas. “Queremos perceber se os pais dão os mesmos ‘inputs’ a meninos e meninas quando os puzzles têm o mesmo grau de dificuldade”.
A diferença da interacção dos pais com as crianças em conformidade com o sexo pode estar relacionada com o estereótipo de que os rapazes têm mais aptidões de visualização espacial.
Artigo: Early Puzzle Play: A Predictor of Preschoolers’ Spatial Transformation Skill

quinta-feira, 30 de maio de 2013

MATEMÁTICA NO ENEM 2013



  A Matemática apresentada no ENEM, é uma Matemática inteiramente contextualizada, tendo sua aplicabilidade em situações do cotidiano, distanciando-se do tecnicismo ainda tão utilizado em algumas escolas brasileiras.
  Essa disciplina está inserida em Matemática e suas Tecnologias, que compreende sete competências que serão abordadas na prova do ENEM. São elas:


  • Construir significados para os números naturais, inteiros, racionais e reais.
  •   Utilizar o conhecimento geométrico para realizar a leitura e a representação da realidade e agir sobre ela;
  •  Construir noções de grandezas e medidas para a compreensão da realidade e a solução de problemas do cotidiano;
  •   Construir noções de variação de grandezas para a compreensão da realidade e a solução de problemas do cotidiano;
  •   Modelar e resolver problemas que envolvem variáveis socioeconômicas ou técnico-científicas, usando representações algébricas.
  •   Interpretar informações de natureza científica e social obtidas da leitura de  gráficos e tabelas realizando previsão de tendência, extrapolação, interpolação e interpretação;
  • Compreender o caráter aleatório e não determinístico dos fenômenos naturais e sociais e utilizar instrumentos adequados para medidas, determinação de amostras e cálculos de probabilidade para interpretar informações de variáveis apresentadas em uma distribuição estatística.

         


       Esperamos questões interdisciplinares, buscando avaliar não só a técnica, mas a capacidade de compreensão e raciocínio.

 Até a próxima!
 

Brincando e aprendendo


   No desenvolvimento das crianças é de fundamental importância trazer conceitos matemáticos em meio as brincadeiras, recheando sua vivência de situações onde brincando possam entrar em contato com o mundo da Matemática. Assim, vamos preparando-as melhor para o que vem pela frente

   Atenção com os nossos pequenos!!!
   Aí vai uma dica de vídeo que pode ser incluído no cotidiano dos pimpolhos!!!


ETNOMATEMÁTICA: UMA ABORDAGEM INCLUSIVA

Etnomatemática é hoje considerada uma sub-área da História da Matemática e da Educação Matemática, com uma relação muito natural com a Antropologia e as Ciências da Cognição. É evidente a dimensão política da Etnomatemática.

Etnomatemática é a matemática praticada por grupos culturais, tais como comunidades urbanas e rurais, grupos de trabalhadores, classes profissionais, crianças de uma certa faixa etária, sociedades indígenas, e tantos outros grupos que se identificam por objetivos e tradições comuns aos grupos.

Além desse caráter antropológico, a etnomatemática tem um indiscutível foco político. A etnomatemática é embebida de ética, focalizada na recuperação da dignidade cultural do ser humano.

A dignidade do indivíduo é violentada pela exclusão social, que se dá muitas vezes por não passar pelas barreiras discriminatórias estabelecidas pela sociedade dominante, inclusive e, principalmente, no sistema escolar.

Mas também por fazer, dos trajes tradicionais dos povos marginalizados, fantasias, por considerar folclore seus mitos e religiões, por criminalizar suas práticas médicas. E por fazer, de suas práticas tradicionais e de sua matemática, mera curiosidade, quando não motivo de chacota.
 
Ubiratan D'Ambrosio
 
 
 

Na Vida Dez, Na Escola Zero

Existe no Brasil a crença de que a matemática pode classificar os alunos em mais inteligentes e menos inteligentes, ou os que sabem raciocinar e os que não sabem. No entanto, a matemática escolar é apenas uma das formas de se fazer matemática. Muitas vezes, dentre os alunos que não aprendem na aula estão alunos que usam a matemática na vida diária, vendendo em feiras ou calculando e repartindo lucros. Este livro analisa a matemática na vida diária entre jovens e trabalhadores que, na maioria das vezes, não aprenderam na escola o suficiente para resolver os problemas que resolvem no dia-a- dia. O psicólogo e o educador encontrarão nestes estudos sugestões sobre como olhar o raciocínio de uma forma mais independente da ideologia do saber instituído. O professor de matemática poderá descobrir que o conhecimento matemático é acessível a muitos, mas que é preciso saber como interpretar os procedimentos matemáticos desenvolvidos fora da sala de aula.  


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Uma atenção toda especial às crianças

      DONALD NO PAÍS DA MATEMÁGICA

A Etnomatemática e seus pressupostos históricos


  Historicamente, a palavra Etnomatemática  surgiu na década de 70, com base em críticas sociais acerca do ensino tradicional da Matemática, como a análise das práticas matemáticas em seus diferentes contextos culturais. Tendo Ubiratan D’Ambrósio como precursor e idealizador aqui no Brasil. A palavra foi cunhada da junção dos termos techné, mátema e etno. E acrescenta-se que:
Tem seu comportamento alimentado pela aquisição de conhecimento, de fazer (es) e de saber(es) que lhes permitam sobreviver e transcender, através de maneiras, de modos, de técnicas, de artes (techné ou ‘ticas’) de explicar, de conhecer, de entender, de lidar com, de conviver com (mátema) a realidade natural e sociocultural (etno) na qual ele, homem, está inserido. (D’AMBROSIO, 2005, p. 99-120).
Nessa linha de pensamento, percebemos que a Etnomatemática não se trata de um método de ensino nem de uma nova ciência, mas de uma proposta educacional que estimula o desenvolvimento da criatividade, conduzindo a novas formas de relações interculturais. Isso se confirma neste argumento: “é um programa que visa explicar os processos de geração, organização e transmissão de conhecimentos em diversos sistemas culturais e as forças interativas que agem nos e entre os três processos”. (D’AMBRÓSIO, 2001).
Compreendemos que a Matemática vivenciada, por exemplo, pelos vendedores em situação de rua; pelo artesão; donas de casa; pelo pescador; pelo pedreiro e costureira; a geometria na cultura indígena e em outras classes sociais é completamente distinta entre si em função do contexto cultural e social na qual estão inseridas. Mas, para ampliar a compreensão da realidade e de mundo dessas pessoas é fundamental interagir todas as práticas do cotidiano. Caso não seja possível, então, a Matemática se apresenta apenas como uma forma de resolver questões de ordem prática e sem sentido para algumas classes sociais.
Nessa perspectiva, acreditamos que um dos caminhos para fundamentar essa vertente são as ações pedagógicas construídas dentro do contexto sociocultural daqueles que se pretende educar, pois os objetivos e, consequentemente, os conteúdos devem variar de acordo com a cultura, a realidade social, as necessidades, as aspirações pessoais. A razão é que a Matemática está presente na realidade de cada um, e como tal, ela deve, sobretudo:
Basear-se em propostas que valorizem o contexto sociocultural do educando, partindo de sua realidade, de indagações sobre ela, para a partir daí definir o conteúdo a ser trabalhado, bem como o procedimento que deverá considerar a matemática como uma das formas de leitura de mundo. (MONTEIRO e POMPEU JR., 2003, p. 38).
Diante do exposto, compreendemos que o estudo de atividades fora da sala de aula, proporciona uma construção por parte do educando, do conhecimento prático e não perde o caráter acadêmico ou escolar no ensino da Matemática. Isso. Leva-nos a acreditar que o ensino da Matemática numa perspectiva Etnomatemática pode estabelecer uma relação mais consistente e construtiva entre teoria e prática por contemplar experiências cotidianas a serem refletidas e analisadas, podendo até evitar o excesso de teorias estudadas na superficialidade e insucesso dos alunos porque o ensino passa a estabelecer uma relação com cotidiano.
Recorremos à consideração feita por URTON (1997) para justificar a aplicabilidade da Etnomatemática, quando diz:
Que se trata de uma vertente que busca identificar manifestações matemáticas nas culturas periféricas e tem como referências categorias própria de cada cultura, reconhecendo que é própria da espécie humana a satisfação de pulsões de sobrevivência e transcendência, absolutamente integradas, como numa relação simbiótica. (URTON, 1997).
Pois, na atual conjuntura sócio-política da sociedade, torna-se fundamental buscar novas propostas curriculares que venham acompanhar os avanços tecnológicos, bem como reafirmar a escola como o lugar do conhecimento, do convívio e da sensibilidade, condições imprescindíveis para a constituição da cidadania. Em outras palavras, queremos dizer que a adoção de novos instrumentos culturais leva a novos caminhos pedagógicos.
Por fim, acreditamos que a Matemática nasce sob determinadas condições econômicas, sociais e culturais, por isso cada cultura, ou mesmo subcultura, deve produzir sua própria Matemática específica, que resulta das necessidades específicas do grupo social.
Referências:
D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Sociedade, cultura, matemática e seu ensino. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, p. 99-120, 2005.
___________. Etnomatemática – elo entre as tradições e a modernidade. – Belo Horizonte: Autêntica, 2001. (Coleção em Educação Matemática, 1).
MONTEIRO, Alexandrina e POMPEU JR, Geraldo. A Matemática e os Temas Transversais. São Paulo. Editora Moderna, 2001.
URTON, Gary. The Social Life of Numbers. A Quechua Ontology of Numbers and Philosophy of Arithmetic, University of Texas Press, Austin, 1997.

Bem Vindos



  Este blog surgiu da necessidade de estabelecer um canal de comunicação para discutir e analisar as  práticas matemáticas em seus diversos contextos culturais. O distanciamento da Matemática encontrada no currículo e a Matemática que se apresenta no cotidiano, tem sido um dos principais vilões, no que diz respeito a aprendizagem desta disciplina. Assim, este será um espaço de discussão e troca de experiências em busca de um saber matemático mais significativo.



Silvana Sales.